Nas doenças cardiovasculares ocorre à ativação da resposta inflamatória local e sistêmica, e o processo de síntese e degradação da Matriz Extracelular (MEC) do miocárdio, o equilíbrio durante esses processos decorre de extrema importância para determinar a evolução clinica do paciente nos dois primeiros anos após o evento cardiovascular. É provável que medicamentos que agem na via da hidroxi-metil glutaril coenzima A redutase (HMG-CoA) possam intervir no prognostico após síndrome coronária aguda.
A modulação da inflamação na fase precoce do Infarto agudo do Miocárdio (IAM) tem participação da citocina pró-inflamatória Fator de Necrose Tumoral (TNF), que é responsável pela síntese de colágeno, proteína importante na conservação da elasticidade e força do miocárdio. Uma matriz rica em colágeno torna-se cicatriz que resiste a área infartada. Mas iniciado o processo de cicatrização, a intensificação da produção de citocinas pró-inflamatórias, influencia negativamente o equilíbrio entre produção e degradação do colágeno o que provoca ruptura cardíaca, arritmias e formação de aneurismas, levando em ultima analise a progressão da disfunção ventricular. No estudo Cholesterol And Recurrent Events (CARE), em pacientes com IAM precoce, os que desenvolveram morte cardíaca tinham maiores níveis de TNF na admissão. Portanto, a nova MEC formada na área infartada concede substratos para a força praticada pelo miocárdio, contribuindo na resistência às deformações causadas pela pressão durante o ciclo cardíaco. E o defeito do suporte efetuado pela nova MEC pode levar à expansão do infarto, provocando processo de remodelamento ventricular. O remodelamento cardíaco tem diagnóstico clínico, na identificação do aumento da cavidade do ventrículo esquerdo.
No presente estudo foi ressaltada a ação benéfica das Estatinas nos devidos processos:
- As partículas das lipoproteínas de baixa densidade (LDL) atraem células inflamatórias para dentro da placa aterosclerótica. A ação das estatinas na inibição competitiva da HMG-CoA redutase, reduz a síntese desse colesterol no fígado, aumentando o numero de receptores de LDL na superfície dos hepatócitos o que promove uma redução dos níveis plasmáticos de LDL-colesterol. Desta forma ocorre uma relação com o efeito antilipidêmico e anti-inflamatório das Estatinas.
- A inibição da HMG-CoA pelas Estatinas impede a síntese de metabólitos não esteróis como o mevalonato (metabólito da síntese do colesterol) que participa da cascata inflamatória.
- A ligação do antígeno de função leucocitária (LFA-1) às moléculas de adesão intercelular endotelial (ICAM-1) é necessária para iniciar a migração transendotelial e a ativação de linfócitos, neutrófilos, mastócitos e monócitos. As estatinas reduzem a expressão de ICAM-1 e inibem competitivamente a interação de LFA-1/ICAM, que resulta na redução do número de macrófagos e células T, além de aumentar o conteúdo de colágeno na capa fibrosa.
Na fase aguda do IAM, nas primeiras horas e ainda dentro dos 30 dias que se seguem o caso, ocorre o aumento da resposta inflamatória em conjunto com o começo do processo de cicatrização com intensa síntese degradação do colágeno. No estudo foram realizadas coletas diárias para dosagem de proteínas C-reativa (PCR), que se liga às células miocárdicas lesadas aumentando a dimensão da área infartada. E dosagem de TNF, citocina pró-inflamatória com secreção aumentada na fase de IAM.
Tabela 1 – Dosagens de PCR, durante os sete primeiros dias de internação hospitalar, e no 30° dia do IAM.
Tabela 2 – Dosagem de TNF, durante os cinco primeiros dias internação hospitalar.
A Tabela 1 mostra as alterações nas dosagens séricas diárias de PCR, medida nos pacientes, durante os sete primeiros dias de internação hospitalar de IAM. A Tabela 2 mostra que no quinto dia após o IAM, os níveis de TNF foram expressamente menores no grupo tratado com sinvastatina 80mg.
O estudo confirma a redução da PCR de forma dose-dependente, na fase aguda do IAM. Comparando com o grupo sem estatinas a elevação nos níveis de PCR atingiu cerca de 80% do nível máximo. Os mesmos resultados foram verificados usando outros marcadores inflamatórios como o TNF. Desta forma, concluímos que o uso da estatina nos cinco primeiros dias do IAM tem efeito benéfico na redução da síntese e degradação do colágeno, no menor remodelamento ventricular, e na atenuação da atividade inflamatória. E contribui para a estabilização da MEC e melhor prognóstico em longo prazo.
Aluna: Rivia Rachel da Costa Grilo 13/0132314
Fontes:
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