sábado, 16 de maio de 2015

Estatina e seus efeitos


A estatina, ao longo dos últimos anos, foi um dos medicamentos mais vendidos no mundo inteiro. A publicidade em cima desse fármaco e as equivocadas informações a respeito do colesterol fizeram com que boa parte das pessoas com alto nível de colesterol optassem por utilizar esse medicamento, maior parte por medo de doenças cardiovasculares fatais. O que acontece é que maior parte das pesquisas e artigos científicos (não patrocinados por indústrias farmacêuticas, visto que esses tem seus interesses nos resultados das pesquisas) mostram que o alto nível de colesterol no sangue não tem relação significativa com a mortalidade causada por doenças cardiovasculares! Esses resultados de estudos famosos, como o de Honolulu (publicado na revista The Lancet) e o de Framingham (estudo realizado desde 1948 até atualmente), impressionaram até mesmo seus próprios pesquisadores. Os resultados mostram que a influência do colesterol na mortalidade da população idosa está mais relacionada a baixos níveis de colesterol do que a altos níveis! Ou seja, o colesterol baixo seria mais perigoso do que o colesterol alto.
Um estudo norueguês realizado em mulheres concluiu ainda que, além de não ser maléfico, altos níveis de colesterol poderiam ser até benéficos!
Voltando o foco para a estatina: sim, ela abaixa o nível de colesterol no sangue, mas não necessariamente previne pacientes contra doenças cardiovasculares. Um famoso estudo conhecido como JUPITER (Justification for the Use of statins in Primary prevention: an Intervention Trial Evaluating Rosuvastatin) tentou mostrar que a estatina realmente diminuía a mortalidade e conseguiu, porém um pequeno detalhe é que um dos pré-requisitos para participar do estudo era ter baixo nível de colesterol, ou seja, a estatina diminuiu a mortalidade de pessoas com baixos níveis de colesterol, o que aconteceu principalmente por causa dos efeitos colaterais que ela tem. Outros 2 produtos da cadeia de transformações do mevalonato, a Ubiquinona (Co-enzima Q10) e o Dilocol também diminuem seus níveis com inibição da HMG-CoA redutase, isso influencia em diversos efeitos colaterais que serão retomados em posts seguintes.
Outros dados utilizando a "medição" NNT (Number Necessary to Treat), número que precisaria ser tratado para desfecho, chegou aos seguintes números:
Tratando pacientes com estatina por 5 anos 
-1 em 50 desenvolveria diabetes
-1 em 10 desenvolveria dano muscular
-1 em 39 teria um ataque cardíaco não fatal evitado 
-1 em 125 teria um derrame evitado 
-1 em 83 teria sua vida salva

Concluindo: o medicamento tem mais pacientes que tiveram efeitos colaterais ruins do que os que tiveram suas vidas salvas, porém o número de ataques cardíacos não fatais evitados quando colocado em porcentagem populacional de um estado ou país é alto, por isso fica a critério do paciente e seu médico pesarem os benefícios e malefícios do medicamento e optar pelo seu uso ou não. 

Rayanne Poletti Guimarães - 140086714

Fontes: 
Cholesterol and mortality. 30 years of follow-up from the Framingham study. Anderson KM, et al. JAMA. 1987.

Cholesterol and all-cause mortality in elderly people from the Honolulu Heart Program: a cohort study. Schatz IJ, et al. Lancet. 2001.

Is the use of cholesterol in mortality risk algorithms in clinical guidelines valid? Ten years prospective data from the Norwegian HUNT 2 study. Journal of evaluation in clinical practice

http://www.thennt.com/nnt/statins-for-heart-disease-prevention-with-known-heart-disease/

http://www.lowcarb-paleo.com.br/2014/08/sobre-importancia-de-compreender.html?m=1

http://www.umaoutravisao.com.br/secoes/Colesterol/perigostatins.htm



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