terça-feira, 30 de junho de 2015

Ação do Fármaco em relação a sua Estrutura


  A estrutura da estatina está organizada em dois componentes, o farmacóforo representado pelo ácido di-hidroxiheptanoico e a subunidade composta de anéis com substituintes diferentes. Na região do farmacóforo ocorre a inibição competitiva e reversível no grupo enzimático hidroximetil glutaril CoA (HMG-CoA), assim inibe a formação do colesterol ao bloquear a sua ligação pelo sitio catalítico.  E contêm grupos decalina ou anéis heterociclicos que fornecem diferentes conformações para sítio de interação hidrofóbica.






Sinvastatina e Atorvastatina
  São administradas como pró-fármacos na forma de lactonas inativas, e no fígado são transformadas pela ação das enzimas esterases, para a forma ativa de hidroxiácido, que inibe o HMG-CoA. Após a transformação das lactonas, pequenas quantidades desses inibidores ativos de HMG-CoA e pequenas formas de lactonas são encontradas na circulação sistêmica. Sua solubilidade tem caráter lipofílico, atravessa a membrana celular por difusão passiva em direção ao fígado,órgão alvo da biossíntese do colesterol, o que pode trazer efeitos indesejáveis.


Rosuvastatina e Pravastatina 
   Estão na forma de hidroxiácidos livres, administradas na forma ativa do anel aberto. Têm características hidrofílica, depende de um processo de transporte ativo para entrar no hepatócito. O que promove uma maior seletividade para o HMG-CoA hepática, menor potencial de interação e melhor absorção. Assim tornam-se fármacos idéias para a melhor seletividade hepática para inibição da síntese de colesterol.


   Apresentamos somente as quatro classes de estatinas registradas no Brasil, segundo a ANVISA. As diferentes estruturas das estatinas, a lipofilicidade e a hidrofilicidade determinam a variabilidade da atividade farmacológica das estatinas, e contribui para ações pleiotrópicas das estatinas. E uma absorção eficiente das estatinas no fígado, órgão alvo das estatinas, tem maior relevância do que sua biodisponibilidade no organismo. 


Aluna: Rivia Rachel da Costa Grilo 13/0132314



Referências:

MAMC Santiago. Estatina – Efeitos tóxicos e novas aplicações. Universidade Fernando Pessoa. Porto 2011.

FAH Fonseca. Farmacocinética das Estatinas. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Volume 85. São Paulo Outubro 2005.

P Gazzerro; MC Proto; G Gangemi; NA Malfitano; E Ciaglia; S Pisanti; A Santoro; C Laezza; M Bifulco. Pharmacological Actions of Satatins: A critical Appraisal in the Management of Cancer. Pharmacological Reviews. Vol 64. 2012.

Informe SNVS/ANVISA/Nuvig/GFARM. Revisão das Informações em Bulas das Estatinas. Fevereiro 2012. portal.anvisa.gov

Wikipedia USA. Statin
https://en.wikipedia.org/wiki/Statin






segunda-feira, 29 de junho de 2015

Alternativa fitoterapica ao uso da estatina

   Os efeitos colaterais das estatinas faz com que muitos pacientes procurem alternativas naturais para diminuir o nível de colesterol.

   O arroz vermelho faz parte da culinária chinesa a centenas de anos, tem como princípio ativo a monacolina k e o primeiro registro de utilização para melhorar a saúde cardiovascular foi encontrado em uma farmacopéia (livro que contém técnicas de preparar medicamentos) da época da dinastia ming.

   A levedura do arroz vermelho é produto da fermentação do arroz. A monacolina tem ação inibidora da HMG-CoA redutase enzima reguladora da síntese de colesterol, e contem isoflavonas, esteróis, e ácidos gordos monosaturados.

  Um estudo feito com 62 pacientes tinha o objetivo de avaliar a eficácia da estatina para tratar a dislipidemia em pacientes que tiveram efeitos colaterais não toleráveis com o uso da estatina. Foram escolhidos aleatoriamente 31 pacientes para receber tratamento com o arroz vermelho (1800 mg) e os 31 restantes receberam placebo, eram administrados 2 vezes ao dia durante 24 semanas. Junto a esse tratamento os pacientes foram submetidos a um programa de mudança de estilo de vida de 12 semanas.

   Esse tratamento resultou na diminuição do colesterol LDL em 1,11mmol/L (43 mg/ dL) a partir da semana 12 e 0,90 mmol / L (35 mg / dL) na semana 24, no grupo que usou o arroz vermelho. E no grupo do placebo o colesterol l diminuiu 0,28 mmol/L (11 mg /dL) na semana 12 e 0,39 mmol/L (15 mg d/L) na semana 24. A baixa dos níveis de colesterol foi significativamente maior em pacientes tratados com arroz em comparação com pacientes tratados com placebo.

   Segundo o estudo a combinação de estilo de vida saudável e o uso da levedura do arroz vermelho podem trazer benefícios como a diminuição dos níveis de colesterol LDL, sem causar efeitos colaterais como desordem muscular.

   O estudo foi feito com poucos pacientes, em um curto tempo de duração, e com foco em medidas de laboratório, por isso não pode ser considerado conclusivo para a substituição do tratamento de estatina pelo tratamento com a levedura de arroz, porém com mais pesquisas essa pode de ser uma solução alternativa.

    É sempre importante consultar o médico antes de suspender o uso de medicações.

Laís Rayane 13/0012297

Fontes:

David J. Becker, MD; Ram Y. Gordon, MD; Steven C. Halbert, MD; Benjamin French, PhD; Patti B. Morris, RD; and Daniel J. Rader, MD, Red Yeast Rice for Dyslipidemia in Statin-Intolerant Patients: A Randomized Trial. Annals of Internal Medicine. June 2009.

Monograph. Monascus purpureus (red yeast rice). Alternative Medicine Review. 9.2.(2004):208-10.



Heber D, Yip I, Ashley JM, Elashoff DA, Elashoff RM, Go VL. Cholesterol-lowering effects of a proprietary Chinese red-yeast-rice dietary supplement. American Journal of Clinical Nutrition. 69.2 (1999):231-6.

sábado, 27 de junho de 2015

Farmacocinética das Estatinas

   
http://www.fda.gov/Drugs/DrugSafety/ucm293101.htm

   As estatinas são bastante diversas quanto a sua atuação na inibição da enzima HMG-CoA, alguns fatores como: secreção, absorção, ingestão de alimentos, idade e sexo, raça ou etnia, doença concomitante podem influenciar no metabolismo das Estatinas.

Secreção/Absorção

  Quando administrada por via oral, o intestino é responsável pela absorção é o fígado pela biotransformação e distribuição do fármaco, sua excreção da circulação sistêmica ocorre pela bílis nas fezes. A eliminação é dependente da absorção. A percentagem de absorção das estatinas está entre 30 e 90% e o tempo para alcançar o pico de concentração plasmática é dentro de 4 horas após a sua administração. A secreção hepática é controlada pela Glicoproteína P (P-gp), um transportador localizado na membrana basolateral de células secretoras. A P-gp é uma bomba de efluxo dependente de ATP, ela transporta drogas e metabólitos endógenos para a luz intestinal, urina e bile e tem papel importante na proteção do cérebro contra drogas e metabólitos tóxicos. O tempo de meia-vida das estatinas é curto de 0,5-3h, para potencializar seu efeito recomenda-se tomar no período da noite, momento em que os níveis de colesterol no sangue caem e ocorre a síntese de colesterol.


Raça ou Etnia
   Não há nenhuma evidência que mostre diferença clinica relevante na farmacocinética em pacientes negros, brancos, japoneses e etc, após doses terapêuticas orais de estatina. (Mück, 1998).

Consumo de Alimentos

   A biodisponibilidade dos fármacos deve ser testada com e sem ingestão de alimentação simultânea. E as estatinas possuem diferentes propriedades farmacocinéticas. A biodisponibilidade da pravastatina diminui 31% quando administrada com alimentos. Já a biodisponibilidade da lovastatina é aumentada em 50% com uma alimentação regular, mas uma dieta rica em fibras ou frutas, pode diminuir a absorção de lovastatina e aumentar o risco de falha na terapia (Dobrinsaka, 1988; Richter, 1991). Com a atorvastatina a ingestão de alimentos não afeta a sua biodisponibilidade e atividade hipomeliante. (Whitfield, 2000).
  • Ácidos Graxos Ômega 3 potencializa o efeito farmacológico das estatinas (Andrés e Lucena, 2004).
  • Pectina ou farelo de Aveia com lovastatina diminui a absorção e biodisponibilidade do fármaco (Metzger, et, al 2009).
  • Consumo de álcool não afeta a eficácia e segurança do tratamento com fluvastatina (Smit, 1995).
  • Suco de Laranja (Citrus sinensis), rico em vitamina D potente inibidor da peroxidação lipídica tem ação sinérgica a da estatina. Foram observados os seguintes efeitos dessa associação: a) diminuição da quantidade e da área de LDL quando comparadas ao tratamento convencional; b) redução das áreas de lesões ateroscleróticas quando comparadas ao tratamento convencional; c) redução do colesterol total plasmático; d) aumento na biodisponibilidade da pravastatina administrada por via oral (Raposo Filho, 2010).
  • Suplementos com vitamina D, as estatinas estão relacionadas com efeitos colaterais desagradáveis como a mialgia, dor muscular pela deficiência de vitamina D. Nesse sentido, estudos demonstraram que a suplementação com vitamina D pode diminuir os efeitos adversos causados por atorvastatina, fluvastatina, lovastatina e sinvastatina.
  • Suco de toranja (citrus paradisi) é uma fruta cítrica resultado de um cruzamento de Pomelo (citrus máxima) com a laranja (citrus sinensis). Ele inibe o citocromo CYP 3a4, importante enzima do fígado que oxida toxinas e medicamentos, removendo eles do organismo. Desta forma, o metabolismo pré-sistêmico da atorvastatina, lovastatina e sinvastatina aumenta sua biodisponibilidade até 24horas após o consumo do suco. O que causa o risco de rabdomiólise quando administradas com estes fármacos (Bailey e Dresser, 2004). Entretanto, como a fluvastatina e pravastatina não são metabolizados pelo citocromo CYP 3a4, sofrem pouco efeito quando administradas com suco de toranja (Kane e Lipsky, 2000).
Idade e Sexo

   Também tem sido considerado a influencia da diferença de idade e sexo nas propriedades farmacocinética das estatinas. A administração de regimes de dosagem separadas de lovastatina e sinvastatina em pacientes com hipercolesterolemia aumenta as concentrações plasmáticas das estatinas apenas em pessoas idosas (com idade entre 70-78 anos) e nas mulheres. No entanto, estas diferenças relacionadas com idade e sexo não requerem modificação dos regimes de dosagem, dado que as concentrações plasmáticas de estatina não está necessariamente relacionada com a sua eficácia e a janela terapêutica de lovastatina e sinvastatina é bastante larga (Cheng. 1992). Variantes na farmacogenética também influência na HMG-CoA, pacientes portadores de inibição da HMG-CoA redutase um polimorfismo de um único nucleotídeo, tiveram uma redução na sensibilidade com estatina e menor diminuição no nível de colesterol (Medina, 2008).


Doença Concomitante
   Em condições patológicas de disfunção renal grave a cinética de eliminação das estatinas é alterada e os níveis plasmáticos de lovastatina total são aumentados e afetadas em comparação com indivíduos saudáveis ​​(Querin 1991). Em contraste, nos pacientes com hiperlipidemia e insuficiência renal crônica submetidos a hemodiálise, não houve evidência de aumento da acumulação de atorvastatina ou o seu principal metabólito ativo com doses múltiplas, em comparação com pacientes saudáveis ​​(Lins. 2003). Ainda nas doenças hepáticas, a farmacocinética no estado estacionário da rosuvastatina e sua lactona, após a administração de uma dose única, são muito semelhantes em pacientes do sexo masculino com cirrose hepática e voluntários do sexo masculino, sem doença hepática. Em contraste, os pacientes mostraram um aumento da concentração no plasma após a administração de pitavastatina (Hui, 2005).




Aluna: Rívia Rachel da Costa Grilo 13/0132314



Referências:


P Gazzerro; MC Proto; G Gangemi; NA Malfitano; E Ciaglia; S Pisanti; A Santoro; C Laezza; M Bifulco. Pharmacological Actions of Satatins: A critical Appraisal in the Management of Cancer. Pharmacological Reviews. Vol 64. 2012.
W Mück; S Unger; K Kawano. Inter-ethnic comparisons of the pharmacokinetics of the HMG-CoA reductase inhibitor cerivastatin. British Journal of Clinical Pharmacology. Vol 45. 1998.

WO Richter; BG Jacob; P Schwandt. Interaction between fibre and lovastatin. 1991. Pubmed.com

LR Whitfield; RH Sern; AJ Sedman; R Abel; DM Gibson. Effect of food on the pharmacodynamics and pharmacokinetics of atorvastatin, an inhibitor of HMG-CoA reductase. European Journal of Drug Metabolism and Pharmacokinetics. June 2000.
http://link.springer.com/

BT Metzger; DM Barnes; JD Reed. A comparison of pectin, polyphenols, and phytosterols, alone or in combination, to lovastatin for reduction of serum lipids in familial hypercholesterolemic swine. Journal Med Food. 2009. Pubmed.com

JW Smit; HJ Wijnne; F Schobben; DW Erkelens. Effects of alcohol and fluvastatin on lipid metabolism and hepatic function. Ann Intern Med.Maio 1995. 
Pubmed.com

JJF Raposo Filho. Suco de laranja tem efeito sinérgico à estatina e ao genfibrozila no tratamento da aterosclerose. Incor USP. São Paulo 2010.

GC Kane; JJ Lipsky. Drug–Grapefruit Juice Interactions. Elsevier. Setembro 2000.
sciencedirect.com

DG Bailey; GK Dresser. Interactions Between Grapefruit Juice and Cardiovascular Drugs. American Journal of Cardiovascular Drugs. Setembro 2004.

H Cheng. Influence of Age and Gender on the Plasma Profiles of 3-Hydroxy-3-Methylglutaryl-Coenzyme A (HMG-CoA) Reductase Inhibitory Activity Following Multiple Doses of Lovastatin and Simvastatin. Pharmaceutical Research. 1992
http://link.springer.com/

MW Medina. Variation in the 3-Hydroxyl-3-Methylglutaryl Coenzyme A Reductase Gene Is Associated With Racial Differences in Low-Density Lipoprotein Cholesterol Response to Simvastatin Treatment. American Heart Association. 2008

S Quérin. Single-dose pharmacokinetics of 14C-lovastatin in chronic renal failure. 
Clinical Pharmacology & Therapeutics. 1991.

RL Lins. Pharmacokinetics of atorvastatin and its metabolites after single and multiple dosing in hypercholesterolaemic haemodialysis patients. Nephrology Dialysis Transplantation. 2003. 

CK Hui. Pharmacokinetics of pitavastatin in subjects with Child-Pugh A and B cirrhosis. British Journal of Clinical Pharmacology. 2005. 


RM Salvi; K Magnus e colaboradores. Interação Fármaco-Nutriente: desafio atual da farmacovigilância. Pág 66-68. EdiPUCRS 2014. 

Seizi Oga; WJ Yasaka; LH Jen. A importância da glicoproteína P (P-gp) e dos polipeptídios transportadores de ânions orgânicos (OATP) nas interações medicamentosas. Revisão. Grupo Editorial Moreira Jr. 

Wikipedia USA. Statin. 
https://en.wikipedia.org/wiki/Statin <acesso em: 27/06/15> 

Wikipedia USA. Pomelo
https://en.wikipedia.org/wiki/Pomelo .<acesso em: 27/0615> 

Wikipedia USA. CYP3A4 
https://en.wikipedia.org/wiki/CYP3A4 <acesso em: 27/06/14>




quinta-feira, 25 de junho de 2015

Estatina e Efeitos Cognitivos II

Voltando a comentar sobre estatinas e efeitos colaterais cognitivos, mostrando uma outra visão, alguns artigos têm associado a estatina como "protetor" de demência de Alzheimer. Como podemos ver, totalmente contrário do que apontam os estudos do post anterior, em que a estatina prejudicava consideravelmente a qualidade de vida dos pacientes.

Bom, comecei lendo um pouco de um artigo chamado Cholesterol, Statins and Dementia: what cardiologist should know (Colesterol, Estatinas e Demência: o que cardiologistas devem saber), e o fato da estatina ser mencionado como "protetor" de demência de Alzheimer está na relação, citada no artigo, entre Alzheimer e doenças cardiovasculares, acreditando-se então que a estatina prevenindo doenças cardiovasculares, acabaria também prevenindo o Alzheimer secundariamente. O problema desse argumento, ao meu ver, seriam os outros estudos postados aqui, em que batem de frente dizendo que o colesterol não é o vilão das doenças cardiovasculares, sendo assim a estatina influenciaria muito pouco nessas doenças e menos ainda no Alzheimer.

Muitos são os artigos associando a estatina de maneira ruim com Alzheimer, muitos são os que a protegem (exemplos citados acima e em posts anteriores) e muitos são também os que nem se quer acham uma relação entre os dois. Baseando-se nisso cientistas atualmente tentam sintetizar novos estudos e criticar essas literaturas existentes a favor e contra, como o Statin, Cognition and Dementia-systematic review and methodological commentary (Estatina, Cognição e Demência-revisão sistemática e comentário metodológico).

Um exemplo de um dos estudos que defende o uso da estatina e nega sua capacidade de causar efeitos colaterias cognitivos consideralmente é o The association of statin use and statin type on cognitive performance (A associação do uso de estatina e tipo de estatina no desempenho cognitivo). Esse estudo analisou 7191 pessoas usuárias regulares de estatina e 17404 pessoas não usuárias, com idade superior a 45 anos e observaram o efeito colateral cognitivo da estina. A conclusão desses estudo foi de que a estatina está associada muito pouco com os efeitos colaterais cognitivos, obtendo uma porcentagem de apenas 8,6% nessa relaçao. O resultado também apontou que o tipo de estatina também não interfere.

Enfim, várias são as posições dos cientistas, médicos e seus estudos mas raramente se diz que a estatina não tem maleficio nenhum para seus pacientes (devemos também considerar a influência e interesse das industrias farmacêuticas nesses estudos), mesmo que o estudo aponte como muito pouco, sempre há um risco e muito se diz à respeito de que essa droga não evita uma morte por doença cardiovascular, cabe a cada um optar ou não pelos riscos.


Rayanne Poletti Guimarães - 14/0086714

Fontes:
Cholesterol, Statins and Dementia: what cardiologist should know - http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25869997

Statin, Cognition and Dementia-systematic review and methodological commentary - http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25799928

The association of statin use and statin type on cognitive performance - http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2925406/

Cognitive effects of statin medications
- http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24504830




quarta-feira, 24 de junho de 2015

Estatina e Efeitos Colaterais Cognitivos

Novamente falando sobre os efeitos colaterais adversos causados pela estatina, neste post serão abordados dois artigos que nos mostram como a estatina causa diretamente efeitos colaterais cognitivos nos pacientes.

 O primeiro artigo, de nome Statin-Associated adverse cognitive effects: survey results from 171 patients (Estatina associada com efeitos cognitivos adversos: resultado de um exame com 171 pacientes), foi um estudo realizado com 171 pacientes que utilizavam estatina e reportaram problemas cognitivos durante o uso do medicamente.

 148 desses pacientes se submeteram a parar o uso do medicamento e passar por uma análise sobre os problemas cognitivos;
 128 desses pacientes reportaram que obtiveram melhoras nos problemas cognitivos em torno de 2 semanas sem o medicamento;
 Alguns pacientes (o artigo não diz quantos)reverteram sintomas de demência e Alzheimer;
 19 pacientes que voltaram a tomar estatina voltaram a sentir os sintomas de alguns problemas cognitivos;
 Ou seja, a conclusão desse estudo foi de que a estatina afeta consideralmente a qualidade de vida de seus pacientes e suas principais congnições.

 O segundo artigo, Treatment of statin adverse effects with supplement Coenzime Q10 and statin drug discontinuation (Tratamente de efeitos adversos causados pela estina com suplemento de Coenzima Q10 e descontinuação do uso de estatina), estuda a relação direta entre a Coenzima Q10 (que vimos no post "Estatina e Efeito Colateral No Músculo" que é inibida pela ação da estatina e é muito importante pra nosso organismo) e os efeitos colaterais mais comuns devido ao uso da estatina.

 O estudo com 50 pacientes que apresentaram sintomas de mialgia, fadiga, dispnéia, perda de memória e neuropatia periférica, interromperam seu uso do medicamento e começaram suplementação de CoQ10 240 mg/dia, foram observados e mais de 12 meses depois obtiveram os seguintes resultados:
 Fadiga diminuiu de 84% para 16%
 Mialgia diminuiu de 64% para 6%
 Dispnéia diminuiu de 58% para 12%
 Perda de memória diminuiu de 8% para 4%
 Neuropatia Periférica diminuiu de 10% para 2%
 Chegando a conclusão de que os efeitos colaterais são bastante comuns, porém podem ser reversíveis cortando o uso da estatina e suplementando com a Coenzima Q10.
  Relembrando: A ubiquinona (Coenzima Q10) atuando como transportadora de elétrons na mitocôndria na respiração é muito importante para diversas partes do nosso corpo, e sua falta pode causa danos mitocondriais severos!!

 Fontes:

 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19558254 Statin-Associated adverse cognitive effects: survey results from 171 patients
 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16873939 Treatment of statin adverse effects with supplement Coenzime Q10 and statin drug discontinuation

 Rayanne Poletti Guimarães - 14/0086714

sábado, 20 de junho de 2015

Breve história da estatina


   Tudo começou quando o Rudolf Virchow constatou que o colesterol era encontrado na parede das artérias de pessoas que morriam com doenças cardiovasculares, e então o colesterol foi considerado a causa espessamento das paredes arteriais, aumentando o risco de doenças.

   Iniciou-se uma procurar por formas de diminuir o colesterol, algo que pudesse inibir a biossíntese de colesterol no organismo. Alguns anos depois seria isolado um inibidor da   enzima HMG-CoA redutase, um limitante na  via Biossintética do colesterol.

   Akira Endo, um jovem japonês de origem humilde, passara sua infância no campo com sua família. Com fluência do avô, um admirador da ciência e da medicina, desenvolveu um grande interesse por fungos e cogumelos.

   Ao terminar o colegial Endo ingressou na Faculdade de Agricultura da Universidade de Tohoku, em Sendai, lá foi inspirado pela bibliografia de Alexandre Fleming, o descobridor da penicilina.

   Em 1957 já graduado Akira Endo começo a trabalhar na empresa Sankyo farmacêutica em Tokio, na área de microbiologia aplicada. Durante a busca por antimicrobianos em um caldo de fermentação de Penicillium citrinum ele encontrou um poderoso inibidor da enzima HMG-CoA redutase, esse primeiro produto foi chamado de mevastatina, foram feitos teste com animais e os resultados foram muito bons em ensaios clínicos, porém a longo prazo resultou em efeitos tóxicos, e isso representava um risco no uso da mevastatina em humanos. Em 1978, Alfred Alberts e colegas da Merck Research Laboratories obtiveram um novo produto com a fermentação Aspergillus terréus esse produto se tornou popular com o nome de lovastatina.

   Desde que a lovastatina começou a ser comercializada, 6 estatinas, incluindo duas estatinas semi-sintéticas (sinvastatina e pravastatina) e 4 estatinas sintéticas (fluvastatina, atorvastatina, rosuvastatina e pitavastatina) foram introduzidos no mercado. Hoje a estatina mais popular é a atorvastatinam da Pfizer (Lipitor), um dos medicamentos mais vendidos da história da medicina.

Resultado de imagem para akira endo       
    Akira Endo                              Alfred Alberts


Laís Rayane Dionízio Couto – 13/0012297

Fontes:

Proceedings of the japan academy, Series B physical and biological sciences, A historical perspective on the discovery of statins, maio 2010.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3108295/

Discovery and development of statins.
https://en.wikipedia.org/wiki/Discovery_and_development_of_statins 

Cholesterol drug scientist receives "America's Nobel": Endo pinpointed basis for statins.
blogs.scientificamerican.com

domingo, 14 de junho de 2015

Estatina: uma fraude da industria farmacêutica?

Rendendo 20 bilhões de dólares por ano, a estatina está entre os medicamentos mais vendidos de toda a história da medicina. A ineficiência das estatinas e os riscos que a droga poderia trazer as pacientes tratados eram evidentes mesmo antes do início da comercialização, porém foram ignorados.
A estatina era anunciada como um medicamento milagroso capaz de diminuir o nível do tão temido colesterol no sangue, e consequentemente evitar problemas cardiovasculares possivelmente causados pelo aumento do colesterol.

Mas será mesmo o colesterol o vilão e causador de tantos problemas?

Autores do estudo “The Ugly Side of Statins” que condena o uso das estatinas, Sherif Sultan e Niamh Hyne, afirmam:
O colesterol é fundamental para a energia, a imunidade, o metabolismo da gordura, a leptina, a atividade hormonal da tireóide, síntese relacionada ao fígado, intolerância ao estresse, a função supra-renal, sínteses de hormônios sexuais e função cerebral.

Sendo assim o colesterol é um requisito primário para o bom funcionamento de funções importantes no corpo. Se reduzido pode acarretar vários problemas à saúde:
1.    Redução dos níveis de energia.
2.    Interferência no metabolismo da gordura.
3.    Interferência no funcionamento da tireoide.
4.    A capacidade de lidar com o estresse é forçada.
5.    Modificação nas funções das glândulas adrenais.
6.    Função sexual e habilidade reprodutiva prejudicada.

Nosso cérebro tende a ser danificado, o que significa qualquer parte da nossa existência pode ser prejudicado, incluindo o funcionamento mental, processos autonômicos, coordenação e todas as outras funções, incluindo o coração.
O colesterol desempenha um papel importante no funcionamento das membranas celulares neurais e sinapses cerebrais, de tal modo que o aumento do colesterol foi associada a diminuição em 23% no risco de desenvolver doença de Parkinson. Comparando homens e mulheres, essa redução foi mais efetiva em mulheres
Os níveis de colesterol são determinantes para a formação de um importante oxidante, neuroprotetor, e receptor de elétrons mitocondrial conhecido como, coenzima Q10. Em um estudo com pacientes que sofriam de doença de Parkinson precoce a administração de coenzima Q10 desacelerou significativamente o desenvolvimento da doença com a suspenção da estatina.
Ao alertar sobre o uso das estatinas o Nutrólogo brasileiro Dr. Lair Ribeiro ressalta a influência do medicamento sobre a coenzima Q10 (ubiquinona) que sofre ação de redução antes da diminuição do colesterol, sendo essa coenzima importante para o funcionamento dos músculos, do coração, e do cérebro podendo causar doenças degenerativas.
A estatina também inibe a produção do dolicol, substância que atua na transcrição da mensagem da produção de proteína do DNA via RNA para a mitocôndria, podendo ocorrer erro na transcrição, aumentando 20% a incidência de câncer.

O estudo de Framinghan

Anos atrás em uma cidade dos Estados Unidos, Framingham, estado de Massachusetts, foi selecionada pelo governo americano para ser o local de um estudo cardiovascular. Foram inicialmente recrutados 5.209 residentes saudáveis entre 30-60 anos de idade para uma avaliação clínica e laboratorial intensa. Esse estudo mostrou que metade ou pouco mais da metade das pessoas que morrem de infarto do miocárdio tem colesterol normal ou até mesmo baixo.

Enfim, apesar de ser descrito como um medicamento “milagroso” as pesquisas feitas sobre os efeitos da estatina evidenciam que não há benefícios significantes para pessoas que fazem uso do remédio, mas os efeitos colaterais podem ser importantes. O fato é que a melhor forma de prevenção primária de doenças cardiovasculares é a mudança de hábitos alimentares e hábitos de rotina, pois a intervenção secundária com medicamentos tem efeitos colaterais e como no caso da estatina acarreta outras patologias ao paciente.

Laís Rayane Dionízio Couto - 130012297

Fontes:

Statin Drugs Are the Greatest Medical Fraud of All Time: Study Reports – Waking Times
http://www.wakingtimes.com/ < acesso em: 13/06/2015>

A Project of the National heart, Lung, and Blood Institute and Boston University – Framingham Heart Study 
https://www.framinghamheartstudy.org/ <acesso em: 13/06/2015>


S. Sultan and N. Hynes, "The Ugly Side of Statins. Systemic Appraisal of the Contemporary Un-Known Unknowns," Open Journal of Endocrine and Metabolic Diseases, Vol. 3 No. 3, 2013, pp. 179-185. doi: 10.4236/ojemd.2013.33025.



quinta-feira, 11 de junho de 2015

Estatina e Aumento do Risco de Diabetes Tipo 2

Como vimos no post de efeitos colaterais, a diabetes também é um risco ao se usar estatina no tratamento. Vários pacientes reportaram que se tornaram diabéticos após tratamento com o medicamento, baseando-se nesse alto número de pacientes iniciaram-se estudos sobre a relação entre estatinas e diabetes tipo 2. A diabetes tipo 2, é o tipo de diabetes em que o corpo secreta insulina mas o próprio organismo reage de forma diferente ao esperado.
Um estudo chamado West of Scotland Coronary Prevention já havia avaliada o efeito da Pravastina (um dos tipos existentes de estatina) sobre a diabetes, e foi constatado que essa estatina diminuiu em 30% o risco de diabetes nos pacientes que faziam uso da mesma. Muitos estudos evidenciam o contrário mas nem todos como podemos ver neste caso.

Mas por que isso acontece? Como a estatina agiria aumentando o risco de diabetes tipo 2?
Um estudo recente publicado na revista Diabetologia em maio deste ano e realizado na University of Eastern Finland and Kuopio University Hospital apresentou uma teoria para essas perguntas. O estudo se chama
"Increased risk of diabetes with statin treatment is associated with impaired insulin sensitivity and insulin secretion: a 6 year follow-up study of the METSIM cohort", sua teoria é de que a estatina atua diminuindo a secreção e a sensibilidade de insulina no organismo.
Para comprovar essa teoria 8749 participantes não diabéticos, entre 45-73 anos, foram acompanhados durante quase 6 anos.
O primeiro resultado, que foi uma análise independente de estatina, constatou que os indivíduos que desenvolverem diabetes possuíam uma vida não muito saudável, por exemplo, eram mais obesos, menos fisicamente ativos, altos níveis de triacilgliceróis, baixos níveis de colesterol HDL, entre outros. A tabela abaixo representa este resultado:

O segundo resultado mostrou que o risco de diabetes 2 dependia do tipo da estatina e de sua dose, as duas estatinas que aumentaram o risco foram a Sinvastatina (com doses altas e baixas) e Atorvastatina (com apenas doses altas). Nos 4 gráficos abaixo podemos ver esse resultado de forma mais dinâmica. O primeiro (a), indica a incidência de diabetes em pessoas tratadas com estatina (linha preta) e sem estatina (linha cinza). O segundo (b), indica a incidência de diabetes no tratamento com diferentes tipo de estatina, atorvastatina (linha preta), sinvastatina (linha pontilhada preta), outras estatinas (incluindo, rosuvastatina, pravastatina, fluvastatina e lovastatina) (linha pontilhada cinza) e sem uso de estina (linha contínua cinza). O terceiro (c), indica a incidência com Sinvastatina em alta dose (40 ou 80 mg/dia) (linha preta) e baixa dose (10 ou 20 mg/dia), linha cinza sem tratamento com estatina. O quarto (d), indica a incidência com Atorvastatina em alta dose (20 ou 40 mg/dia) (linha preta) ou baixa dose (10 mg/dia) (linha pontilhada preta), linha cinza sem tratamento com estatina.


Outro resultado importante foi o quanto as estatinas e sua diferentes dosagens influenciam diretamente na secreção e sensibilidade a insulina. A Sinvastatina  e Atorvastatina influenciaram na diminuição de sensibilidade à insulina em 21,9 e 24,4% respectivamente; e na secreção de insulina em 7,6 e 7,4%, respectivamente. Abaixo uma tabela com esses resultados:


Resumindo: o resultado final desse estudo chegou à conclusão de que o tratamento com estatina (principalmente Sinvastatina e Atorvastatina) aumenta em 46% o risco de diabetes tipo 2 e está também associado com 24% da redução de sensibilidade à insulina e 12% na redução da secreção de insulina, comparando com pacientes que não se trataram com estatina.


Fontes: Increased risk of diabetes with statin treatment is associated with impaired insulin sensitivity and insulin secretion: a 6 year follow-up study of the METSIM cohort, Cederberg H1Stančáková AYaluri NModi SKuusisto JLaakso M 2015 May;58(5):1109-17. doi: 10.1007/s00125-015-3528-5. Epub 2015 Mar 10http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25754552 

http://diabetes.org/

Rayanne Poletti Guimarães - 140086714



quarta-feira, 10 de junho de 2015

Revisão das Informações em Bulas das Estatinas

Informe Anvisa – fevereiro 2012



    De acordo com a revisão da Agencia americana Food and Drug Administration (FDA), as alterações nas bulas foram feitas para oferecer aos pacientes informações para o uso seguro e eficaz das estatinas. As mudanças incluem:

  • Remoção do controle de rotina das enzimas hepáticas
       O FDA afirma que lesões graves no fígado com a estatina são raras, e que a monitorização de rotina da enzima hepática alanina aminotransferase (ALT), para a detecção e prevenção dessas lesões não é eficaz, para pacientes assintomáticos. Somente se um grave dano hepático com sintomas clínicos e/ou hiperbilirrubinemia ou icterícia ocorrer durante o tratamento, ele deve ser interrompido.
  • Informações para Eventos Adversos cognitivos 

           Estudos observacionais e ensaios clínicos não indicam alterações cognitivas graves associado o uso de estatina. As alterações geralmente notificadas como perda de memória e confusão, são não graves e reversíveis com o fim do tratamento com estatina. Outro efeito adverso e o aumento nos níveis séricos de  hemoglobina glicosilada (HbA1c) e de glicose no plasma em jejum associados ao uso de estatina. Mas o FDA acredita que os benefícios cardiovasculares das estatinas superam estes eventos ocorridos.
  • Interações medicamentosas com Lovastatina 

Foi acrescentado a bula de Lovastatina contra-indicações e limite de dose quando 
administrada com determinados medicamentos como o Itacronazol, um inibidor de lovastatina que aumenta sua expressão em até 20 vezes, o que resulta na Rabdomiólise devido a lesão muscular.

http://www.fda.gov/Drugs/DrugSafety/ucm293101.htm

      A ANVISA ainda não atualizou a bula desses medicamentos no Brasil, porque não houve nenhuma notificação de risco sanitário relacionados aos itens citados. Mas solicitou ao FDA o estudo da decisão sobre essas alterações, para analisar e em seguida fazer uma possível atualização das bulas, junto aos donos de registro de medicamentos com estatina. 



Rivia Rachel da Costa Grilo - 130132314


Fonte:

FDA U.S Food and Drug Administration. FDA Drug Safety Communication: Important safety label changes to cholesterol-lowering statin drugs. Fevereiro 2012. 
http://www.fda.gov/Drugs 

ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Revisão das informações em bula das estatinas. Informe SNVS/Anvisa/Nuvig/GFARM n°3. Fevereiro 2012.
http://portal.anvisa.gov.br/