sábado, 27 de junho de 2015

Farmacocinética das Estatinas

   
http://www.fda.gov/Drugs/DrugSafety/ucm293101.htm

   As estatinas são bastante diversas quanto a sua atuação na inibição da enzima HMG-CoA, alguns fatores como: secreção, absorção, ingestão de alimentos, idade e sexo, raça ou etnia, doença concomitante podem influenciar no metabolismo das Estatinas.

Secreção/Absorção

  Quando administrada por via oral, o intestino é responsável pela absorção é o fígado pela biotransformação e distribuição do fármaco, sua excreção da circulação sistêmica ocorre pela bílis nas fezes. A eliminação é dependente da absorção. A percentagem de absorção das estatinas está entre 30 e 90% e o tempo para alcançar o pico de concentração plasmática é dentro de 4 horas após a sua administração. A secreção hepática é controlada pela Glicoproteína P (P-gp), um transportador localizado na membrana basolateral de células secretoras. A P-gp é uma bomba de efluxo dependente de ATP, ela transporta drogas e metabólitos endógenos para a luz intestinal, urina e bile e tem papel importante na proteção do cérebro contra drogas e metabólitos tóxicos. O tempo de meia-vida das estatinas é curto de 0,5-3h, para potencializar seu efeito recomenda-se tomar no período da noite, momento em que os níveis de colesterol no sangue caem e ocorre a síntese de colesterol.


Raça ou Etnia
   Não há nenhuma evidência que mostre diferença clinica relevante na farmacocinética em pacientes negros, brancos, japoneses e etc, após doses terapêuticas orais de estatina. (Mück, 1998).

Consumo de Alimentos

   A biodisponibilidade dos fármacos deve ser testada com e sem ingestão de alimentação simultânea. E as estatinas possuem diferentes propriedades farmacocinéticas. A biodisponibilidade da pravastatina diminui 31% quando administrada com alimentos. Já a biodisponibilidade da lovastatina é aumentada em 50% com uma alimentação regular, mas uma dieta rica em fibras ou frutas, pode diminuir a absorção de lovastatina e aumentar o risco de falha na terapia (Dobrinsaka, 1988; Richter, 1991). Com a atorvastatina a ingestão de alimentos não afeta a sua biodisponibilidade e atividade hipomeliante. (Whitfield, 2000).
  • Ácidos Graxos Ômega 3 potencializa o efeito farmacológico das estatinas (Andrés e Lucena, 2004).
  • Pectina ou farelo de Aveia com lovastatina diminui a absorção e biodisponibilidade do fármaco (Metzger, et, al 2009).
  • Consumo de álcool não afeta a eficácia e segurança do tratamento com fluvastatina (Smit, 1995).
  • Suco de Laranja (Citrus sinensis), rico em vitamina D potente inibidor da peroxidação lipídica tem ação sinérgica a da estatina. Foram observados os seguintes efeitos dessa associação: a) diminuição da quantidade e da área de LDL quando comparadas ao tratamento convencional; b) redução das áreas de lesões ateroscleróticas quando comparadas ao tratamento convencional; c) redução do colesterol total plasmático; d) aumento na biodisponibilidade da pravastatina administrada por via oral (Raposo Filho, 2010).
  • Suplementos com vitamina D, as estatinas estão relacionadas com efeitos colaterais desagradáveis como a mialgia, dor muscular pela deficiência de vitamina D. Nesse sentido, estudos demonstraram que a suplementação com vitamina D pode diminuir os efeitos adversos causados por atorvastatina, fluvastatina, lovastatina e sinvastatina.
  • Suco de toranja (citrus paradisi) é uma fruta cítrica resultado de um cruzamento de Pomelo (citrus máxima) com a laranja (citrus sinensis). Ele inibe o citocromo CYP 3a4, importante enzima do fígado que oxida toxinas e medicamentos, removendo eles do organismo. Desta forma, o metabolismo pré-sistêmico da atorvastatina, lovastatina e sinvastatina aumenta sua biodisponibilidade até 24horas após o consumo do suco. O que causa o risco de rabdomiólise quando administradas com estes fármacos (Bailey e Dresser, 2004). Entretanto, como a fluvastatina e pravastatina não são metabolizados pelo citocromo CYP 3a4, sofrem pouco efeito quando administradas com suco de toranja (Kane e Lipsky, 2000).
Idade e Sexo

   Também tem sido considerado a influencia da diferença de idade e sexo nas propriedades farmacocinética das estatinas. A administração de regimes de dosagem separadas de lovastatina e sinvastatina em pacientes com hipercolesterolemia aumenta as concentrações plasmáticas das estatinas apenas em pessoas idosas (com idade entre 70-78 anos) e nas mulheres. No entanto, estas diferenças relacionadas com idade e sexo não requerem modificação dos regimes de dosagem, dado que as concentrações plasmáticas de estatina não está necessariamente relacionada com a sua eficácia e a janela terapêutica de lovastatina e sinvastatina é bastante larga (Cheng. 1992). Variantes na farmacogenética também influência na HMG-CoA, pacientes portadores de inibição da HMG-CoA redutase um polimorfismo de um único nucleotídeo, tiveram uma redução na sensibilidade com estatina e menor diminuição no nível de colesterol (Medina, 2008).


Doença Concomitante
   Em condições patológicas de disfunção renal grave a cinética de eliminação das estatinas é alterada e os níveis plasmáticos de lovastatina total são aumentados e afetadas em comparação com indivíduos saudáveis ​​(Querin 1991). Em contraste, nos pacientes com hiperlipidemia e insuficiência renal crônica submetidos a hemodiálise, não houve evidência de aumento da acumulação de atorvastatina ou o seu principal metabólito ativo com doses múltiplas, em comparação com pacientes saudáveis ​​(Lins. 2003). Ainda nas doenças hepáticas, a farmacocinética no estado estacionário da rosuvastatina e sua lactona, após a administração de uma dose única, são muito semelhantes em pacientes do sexo masculino com cirrose hepática e voluntários do sexo masculino, sem doença hepática. Em contraste, os pacientes mostraram um aumento da concentração no plasma após a administração de pitavastatina (Hui, 2005).




Aluna: Rívia Rachel da Costa Grilo 13/0132314



Referências:


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