sexta-feira, 5 de junho de 2015

Efeitos da estatina no tratamento de doença renal crônica

Estudos indicam que a evolução de Doenças Cardiovasculares (DVC) pode ser potencializada na presença de Doença Renal Crônica (DRC). Pois comparando a população geral aos portadores de DRC, temos um nível mais elevado de fatores de riscos considerados TRADICIONAIS para a DVC. Outros fatores relacionados a DVC estão associados a DRC e são denominados fatores NÃO TRADICIONAIS. Mas a final de contas, o que são fatores TRADICIONAIS e NÃO TRADICIONAIS? No quadro a baixo esses fatores estão relacionados para melhor esclarecimento.
   

O HDL diminuído e a hipertrigliceridemia são características comuns em pacientes com DRC. A partir de estudos foram observadas evidencias de que as estatinas tem ação inibidora na evolução da doença renal, e na ocorrência de infartos e mortalidade cardíaca em pacientes que tiveram seus rins transplantados. Porém em pacientes diabéticos em tratamento de hemodiálise o uso de estatina não teve resultado tão satisfatório, pois não houve redução na mortalidade cardiovascular.
Ainda não foram feitos estudos com um grande números de portadores de DRC que comprovem que a redução dos fatores de risco diminui a ocorrência de doença cardiovascular e a mortalidade em decorrência dela. Entretanto outras evidências observadas a partir de estudos clínicos na população geral tem sido aceitas, já que fatores tradicionais de risco para DCV podem ser modificados em pacientes com doença renal, e os efeitos adversos não apresentam aumento considerável em pacientes com DRC em comparação a população geral, resultando no aumento da expectativa de vida da maioria dos pacientes com DRC.
Iremos ver agora alguns efeitos positivos que o uso da estatina trás em relação a complacência vascular e a disfunção endotelial. Para isso definiremos então o que é complacência vascular e disfunção endotelial, veja nos tópicos a baixo:
·         Complacência vascular: É o volume de sangue que a região de circulação consegue suportar.
·         Endotélio: Camada de apenas uma célula de espessura que fica no interior dos vasos sanguíneos em contato com o sangue, forma uma película chamada endotélio. Ele tem capacidade de produzir oxido nítrico, o qual faz com que os vasos se dilatem.
·         Disfunção endotelial: É a alteração da capacidade de produção do oxido nítrico.
A complacência tem sido uma das causas de morte mais observadas em pacientes pós transplantados em tratamento de hemodiálise. A estatina exerce então efeitos benéficos sobre a complacência dos vasos e consequentemente na disfunção renal em paciente com doença renal crônica.
Foram examinadas a complacência de grande artérias de vinte e dois pacientes com níveis de lipídios normais, esses receberam fluvastatina (20mg/dia) ou placebo, e foram avaliados os níveis de proteína C-reativa (PCR), a complacência arterial e os níveis lipídicos desses pacientes seis meses antes e seis meses depois do início do tratamento. O grupo que recebeu fluvastatina apresentou melhoras nos níveis de LDL oxidado (que é uma das caudas da disfunção endotelial), da complacência arterial e dos níveis de PCR. O uso da sinvastatina em paciente com doença renal policística também teve resultados positivos, como: a elevação da hemodinâmica renal e do fluxo plasmático, e ainda a melhora da função endotelial, que provavelmente ocorreu pelo aumento da produção de oxido nítrico de extrema importância quando se trata de disfunção endotelial.  


 Laís Rayane Dionizio Couto – 130012297



Fontes:
SRC Ferreira; AM Rocha; JFK Saraiva. Estatinas na doença renal crônica. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Volume 85. Outubro 2005.
Scielo.br

CRG Giribela; R Gengo; V Hong; FM Consolim-Colombo. Função e disfunção endotelial: da fisiopatologia às perspectivas de uso em pesquisa e na prática clinica. Revista Brasileira de Hipertensão. Volume 18
2011.

AL Ammirati; MEF Canziani. Fatores de risco da doença cardiovascular nos pacientes com doença renal crônica. Jornal Brasileiro de Nefrologia. São Paulo 2009.

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