quinta-feira, 25 de junho de 2015

Estatina e Efeitos Cognitivos II

Voltando a comentar sobre estatinas e efeitos colaterais cognitivos, mostrando uma outra visão, alguns artigos têm associado a estatina como "protetor" de demência de Alzheimer. Como podemos ver, totalmente contrário do que apontam os estudos do post anterior, em que a estatina prejudicava consideravelmente a qualidade de vida dos pacientes.

Bom, comecei lendo um pouco de um artigo chamado Cholesterol, Statins and Dementia: what cardiologist should know (Colesterol, Estatinas e Demência: o que cardiologistas devem saber), e o fato da estatina ser mencionado como "protetor" de demência de Alzheimer está na relação, citada no artigo, entre Alzheimer e doenças cardiovasculares, acreditando-se então que a estatina prevenindo doenças cardiovasculares, acabaria também prevenindo o Alzheimer secundariamente. O problema desse argumento, ao meu ver, seriam os outros estudos postados aqui, em que batem de frente dizendo que o colesterol não é o vilão das doenças cardiovasculares, sendo assim a estatina influenciaria muito pouco nessas doenças e menos ainda no Alzheimer.

Muitos são os artigos associando a estatina de maneira ruim com Alzheimer, muitos são os que a protegem (exemplos citados acima e em posts anteriores) e muitos são também os que nem se quer acham uma relação entre os dois. Baseando-se nisso cientistas atualmente tentam sintetizar novos estudos e criticar essas literaturas existentes a favor e contra, como o Statin, Cognition and Dementia-systematic review and methodological commentary (Estatina, Cognição e Demência-revisão sistemática e comentário metodológico).

Um exemplo de um dos estudos que defende o uso da estatina e nega sua capacidade de causar efeitos colaterias cognitivos consideralmente é o The association of statin use and statin type on cognitive performance (A associação do uso de estatina e tipo de estatina no desempenho cognitivo). Esse estudo analisou 7191 pessoas usuárias regulares de estatina e 17404 pessoas não usuárias, com idade superior a 45 anos e observaram o efeito colateral cognitivo da estina. A conclusão desses estudo foi de que a estatina está associada muito pouco com os efeitos colaterais cognitivos, obtendo uma porcentagem de apenas 8,6% nessa relaçao. O resultado também apontou que o tipo de estatina também não interfere.

Enfim, várias são as posições dos cientistas, médicos e seus estudos mas raramente se diz que a estatina não tem maleficio nenhum para seus pacientes (devemos também considerar a influência e interesse das industrias farmacêuticas nesses estudos), mesmo que o estudo aponte como muito pouco, sempre há um risco e muito se diz à respeito de que essa droga não evita uma morte por doença cardiovascular, cabe a cada um optar ou não pelos riscos.


Rayanne Poletti Guimarães - 14/0086714

Fontes:
Cholesterol, Statins and Dementia: what cardiologist should know - http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25869997

Statin, Cognition and Dementia-systematic review and methodological commentary - http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25799928

The association of statin use and statin type on cognitive performance - http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2925406/

Cognitive effects of statin medications
- http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24504830




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