Um estudo chamado West of Scotland Coronary Prevention já havia avaliada o efeito da Pravastina (um dos tipos existentes de estatina) sobre a diabetes, e foi constatado que essa estatina diminuiu em 30% o risco de diabetes nos pacientes que faziam uso da mesma. Muitos estudos evidenciam o contrário mas nem todos como podemos ver neste caso.
Mas por que isso acontece? Como a estatina agiria aumentando o risco de diabetes tipo 2?
Um estudo recente publicado na revista Diabetologia em maio deste ano e realizado na University of Eastern Finland and Kuopio University Hospital apresentou uma teoria para essas perguntas. O estudo se chama
"Increased risk of diabetes with statin treatment is associated with impaired insulin sensitivity and insulin secretion: a 6 year follow-up study of the METSIM cohort", sua teoria é de que a estatina atua diminuindo a secreção e a sensibilidade de insulina no organismo.
Para comprovar essa teoria 8749 participantes não diabéticos, entre 45-73 anos, foram acompanhados durante quase 6 anos.
O primeiro resultado, que foi uma análise independente de estatina, constatou que os indivíduos que desenvolverem diabetes possuíam uma vida não muito saudável, por exemplo, eram mais obesos, menos fisicamente ativos, altos níveis de triacilgliceróis, baixos níveis de colesterol HDL, entre outros. A tabela abaixo representa este resultado:
O segundo resultado mostrou que o risco de diabetes 2 dependia do tipo da estatina e de sua dose, as duas estatinas que aumentaram o risco foram a Sinvastatina (com doses altas e baixas) e Atorvastatina (com apenas doses altas). Nos 4 gráficos abaixo podemos ver esse resultado de forma mais dinâmica. O primeiro (a), indica a incidência de diabetes em pessoas tratadas com estatina (linha preta) e sem estatina (linha cinza). O segundo (b), indica a incidência de diabetes no tratamento com diferentes tipo de estatina, atorvastatina (linha preta), sinvastatina (linha pontilhada preta), outras estatinas (incluindo, rosuvastatina, pravastatina, fluvastatina e lovastatina) (linha pontilhada cinza) e sem uso de estina (linha contínua cinza). O terceiro (c), indica a incidência com Sinvastatina em alta dose (40 ou 80 mg/dia) (linha preta) e baixa dose (10 ou 20 mg/dia), linha cinza sem tratamento com estatina. O quarto (d), indica a incidência com Atorvastatina em alta dose (20 ou 40 mg/dia) (linha preta) ou baixa dose (10 mg/dia) (linha pontilhada preta), linha cinza sem tratamento com estatina.
Outro resultado importante foi o quanto as estatinas e sua diferentes dosagens influenciam diretamente na secreção e sensibilidade a insulina. A Sinvastatina e Atorvastatina influenciaram na diminuição de sensibilidade à insulina em 21,9 e 24,4% respectivamente; e na secreção de insulina em 7,6 e 7,4%, respectivamente. Abaixo uma tabela com esses resultados:
Resumindo: o resultado final desse estudo chegou à conclusão de que o tratamento com estatina (principalmente Sinvastatina e Atorvastatina) aumenta em 46% o risco de diabetes tipo 2 e está também associado com 24% da redução de sensibilidade à insulina e 12% na redução da secreção de insulina, comparando com pacientes que não se trataram com estatina.
Fontes: Increased risk of diabetes with statin treatment is associated with impaired insulin sensitivity and insulin secretion: a 6 year follow-up study of the METSIM cohort, Cederberg H1, Stančáková A, Yaluri N, Modi S, Kuusisto J, Laakso M. Diabetologia. 2015 May;58(5):1109-17. doi: 10.1007/s00125-015-3528-5. Epub 2015 Mar 10. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25754552
http://diabetes.org/
Rayanne Poletti Guimarães - 140086714



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